segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Postal 200


Querida razão,

 

            Foram-se os dias laranja de nossos anos pintados a mão. Senti um leve tocar do vento em meu calcanhar. Desliguei a TV e passei o chá para a mão direita, os dias passam rápido demais para quem está preso em um relógio de ponteiros travados, mas mesmo preso ainda sinto os batimentos dos dias que folheiam as caricaturas do jornal.
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Cinco


            Eu só preciso de uma musica para lavar minha cabeça com as ideias vazias e as políticas redundantes em cartazes e catarses espalhados pela cidade. Eu só preciso da sua companhia para chegar aonde eu sempre quis estar, só preciso de alguns minutos e nada mais. Ai, dentro daquilo que você chama destino, caberá o infinito e próprio relógio que antes batia às 21 horas, estará pronto para receber suas palavras.
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sábado, 6 de outubro de 2012

Relógio d'água


 
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            O velho senta, abre o jornal, sorri e joga comida aos pombos. O azulejo descolore a filosofia do espelho torto. O mal olhado está estrábico, confuso e pede um colírio nas sinaleiras da cidade. Os mendigos gastam dinheiro em seus carros de papelão e a água escorre nas calçadas desconexas da cidade.

      
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domingo, 30 de setembro de 2012

M.R.U


As árvores conversam com o vento as loucuras que o tempo deixou de apresentar.

O tempo nega a loucura e diz para as árvores que o vento não mais voltará.

A cidade entende que o vento não voltara e aceita o tempo que deixa estar.

A flor acredita ser árvore para poder se enfeitar.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Quilting e os retalhos do tempo.



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Não ligue. Os pingos de chuva são só saudade de estar ai, saudade de contornar os versos e a fala tremida de um velho e uma bengala. Mas aproveitem, faça seu coração bater o mais forte possível, sinta a voz dele conversar com você, pois quando isso acontecer eu estarei ao seu lado, corra, até que seu sorriso rasgue esta imagem cinza do céu, do seu céu.

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domingo, 16 de setembro de 2012

Decupar.

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            Minha pequena venha morar comigo em minha fazenda, traga seus livros e sua psicologia para o ar do campo, traga também meias, aqui esta frio e o tempo muda constantemente. Ao levantar hoje senti seu perfume mais perto e ao imaginar que abrir os olhos encontraria os seus, senti uma leve frustração, então corri pela casa a gritar seu nome. Deparei-me com seus bilhetes e uma foto sua que fez abrir as lagrimas de meus olhos e os sinos da igreja.
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domingo, 9 de setembro de 2012

Rascunho.


            Era para ser junho, mas São Pedro não estava muito para o frio. Esqueceu de ligar o ventilador e acabou esquentando naquelas duas ou três semanas em que ela viajou para o sul.

            Durante muitos anos o inverno foi rigoroso para aquela cidade do sul, mas naquela semana de Junho não. A paisagem continuou com seus tons de vermelho como se fosse Outono, parecia que a aguardavam com delicados presentes de folhas prestes a secar. A temperatura estava exatamente dezoito graus, aquele ato de despir o cabide já não era necessário.

            Lembro como se fosse ontem, a porta do trem abriu e com a fumaça só conseguia ver as sombras e vultos de pessoas com malas e crianças de colo. Foi quando a reconheci. Pateticamente cocei a cabeça e calmamente fui em sua direção, me deparei com uma mulher de cabelos longos, ondulados, de cor tão única que eu mal conseguiria definir, mas era algo tão delicado e perfeitamente desenhado. Cor por cor, fio por fio, onda por onda, do inicio ao fim. Seu vestido verde combinava com as folhas das árvores.
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